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Papa Leão XIV denuncia líderes e condena uso da religião para justificar conflitos

Durante visita a Camarões, pontífice condena líderes que justificam guerras com discurso religioso e pede mudança de rumo.

16/04/2026 às 19:34
Por: Redação

Durante visita oficial a Camarões, nesta quinta-feira, o papa Leão XIV manifestou críticas contundentes a governantes que destinam grandes quantias financeiras à promoção de guerras. O pontífice descreveu o cenário atual como um mundo "devastado por alguns tiranos", declaração feita logo após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltar a direcionar ataques a ele pelas redes sociais.

 

Leão XIV, que se tornou o primeiro papa nascido nos Estados Unidos, também se posicionou contra chefes de Estado que recorrem à linguagem religiosa como forma de justificar confrontos armados. O líder religioso pediu por uma "mudança decisiva de rumo" durante encontro realizado na maior cidade das regiões de língua inglesa de Camarões, território marcado há quase dez anos por um conflito de baixa intensidade que já vitimou milhares de pessoas.

 

Ao abordar as consequências de decisões políticas baseadas em interesses bélicos, o papa destacou a diferença entre destruição e reconstrução, afirmando que os responsáveis por guerras ignoram a rapidez com que se pode destruir, enquanto a reconstrução de um país pode exigir toda uma vida.

 

"Os mestres da guerra fingem não saber que é preciso apenas um momento para destruir, mas muitas vezes uma vida inteira não é suficiente para reconstruir", declarou Leão XIV.


 

O pontífice chamou atenção para a disparidade entre os recursos empregados em ações bélicas e aqueles voltados para saúde, educação e restauração social. Segundo ele, bilhões de dólares são direcionados a ações de destruição, enquanto verbas fundamentais para o bem-estar da população não são encontradas.

 

Os ataques do presidente Donald Trump a Leão XIV se intensificaram na véspera de uma viagem papal por quatro países africanos e continuaram ao longo da semana, causando reação negativa entre a população africana, onde reside uma parcela significativa dos católicos do mundo.

 

No decorrer do primeiro ano de seu pontificado à frente de uma Igreja com 1,4 bilhão de fiéis, Leão XIV manteve postura discreta, mas passou a se manifestar contra a guerra iniciada após ofensivas conjuntas de Israel e Estados Unidos contra o Irã.

 

Nesta quinta-feira, ele reiterou críticas aos governantes que utilizam referências religiosas como justificativa para conflitos armados.

 

"Ai daqueles que manipulam a religião e o próprio nome de Deus para seu próprio ganho militar, econômico e político, arrastando o que é sagrado para a escuridão e a sujeira", afirmou Leão XIV.


 

O papa acrescentou que a atualidade reflete uma inversão de valores e um processo de exploração da criação, o que, em sua avaliação, deve ser alertado e rejeitado por todos que possuem consciência ética.

 

No mês anterior, Leão XIV já havia feito pronunciamentos semelhantes, declarando que Deus não acolhia preces de líderes cujas "mãos estão cheias de sangue". Tais declarações foram amplamente interpretadas como resposta ao secretário de Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, após o uso de vocabulário cristão para legitimar a guerra no Irã.

 

As manifestações de Trump contra o papa começaram no domingo, quando o presidente dos Estados Unidos publicou em rede social que Leão XIV seria "fraco sobre crime e péssimo para a política externa". Posteriormente, novas críticas foram dirigidas ao pontífice, culminando na divulgação de uma imagem em que Jesus aparece abraçando Trump. Essa publicação foi uma reação à repercussão negativa de outro conteúdo anteriormente publicado, onde o presidente era retratado como uma figura semelhante a Jesus.

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