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Dez policiais do Bope são denunciados por crimes em operação na Maré

Ação do Ministério Público do Rio aponta invasão de imóveis e irregularidades no uso de câmeras corporais durante ação policial em janeiro de 2025

17/04/2026 às 02:12
Por: Redação

O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro, por meio do Grupo de Atuação Especializada em Segurança Pública (Gaesp/MPRJ), apresentou denúncia contra dez integrantes da Polícia Militar do estado por envolvimento em crimes como invasão de domicílio, desobediência e descumprimento de missão, realizados durante uma ação policial ocorrida nas comunidades Nova Holanda e Parque União, no Complexo da Maré, em janeiro de 2025.

 

Essas denúncias foram encaminhadas à Auditoria da Justiça Militar após a conclusão das investigações. Conforme o Ministério Público, o início do inquérito ocorreu a partir de relatos de testemunhas, que contataram o plantão do canal da ADPF 635, a Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental número 635, também conhecida como ADPF das Favelas, gerida pelo próprio Ministério Público estadual.

 

Durante a ação, os policiais, lotados no Batalhão de Operações Especiais (Bope) e vinculados ao Comando de Operações Especiais (COE), foram acusados de ingressar em imóveis residenciais sem autorização judicial e fora das condições legais previstas, frequentemente na ausência dos moradores.

 

Segundo informações do Ministério Público, o cabo Rodrigo da Rocha Pita utilizou, em diversas ocasiões, uma chave do tipo 'mixa' para abrir portas de diferentes imóveis, permitindo o acesso do grupo de policiais. Entre os agentes que o acompanharam nessas ações estava o sargento Cláudio Santos da Silva. Ainda conforme apurado, houve situações em que moradores foram surpreendidos pelos policiais dentro das próprias residências.

 

Após entrarem nos imóveis, os agentes teriam feito uso dos espaços para objetivos particulares alheios à atividade policial, como descansar em sofás e camas, utilizar banheiros e consumir bebidas alcoólicas encontradas em um dos locais.

 

“Em alguns casos, os agentes permaneceram por períodos prolongados dentro das casas, mesmo estando escalados para ações de incursão e estabilização”, completou.


 

Irregularidades no uso de câmeras durante a operação

 

Em relação ao uso das câmeras corporais, o Ministério Público identificou uma série de irregularidades cometidas por alguns dos policiais. Entre os denunciados, Rodrigo Rosa Araújo Costa e Diogo de Araújo Hernandes foram acusados de obstruir deliberadamente os equipamentos, provocando registros com imagens de 'tela preta'. Além disso, o cabo Jorge Guerreiro Silva Nascimento teria direcionado a câmera de modo inadequado, impedindo a gravação correta das atividades desempenhadas durante a operação.

 

Também foram denunciados os sargentos Douglas Nunes de Jesus, Carlos Alberto Britis Júnior e Bruno Martins Santiago, além do tenente Felippe Martins e do cabo Diego Ferreira Ramos Martins. As acusações incluem ainda o descumprimento de missão por parte de agentes que permaneceram dentro dos imóveis invadidos sem justificativa operacional, deixando de executar as funções para as quais estavam designados.

 

Ações da Corregedoria-Geral da Polícia Militar e canais para denúncias

 

A Corregedoria-Geral da Polícia Militar instaurou procedimento investigatório para apuração da possível participação dos policiais denunciados nos crimes apontados pelo Ministério Público. A Secretaria de Estado de Polícia Militar informou que, ao término das investigações internas, encaminhou o relatório à Auditoria de Justiça Militar.

 

O órgão também comunicou que a Corregedoria-Geral da Corporação instaurou o procedimento assim que tomou conhecimento de possível desvio de conduta dos policiais envolvidos, ocorrido em janeiro do ano anterior.

 

“Ao agir dessa forma, o comando da Corporação reafirma seu compromisso com a legalidade e a transparência, colocando-se à disposição do Ministério Público para colaborar integralmente com as investigações em andamento”, pontuou, ressaltando que “não compactua com quaisquer desvios de conduta por parte de seus integrantes, adotando medidas rigorosas sempre que os fatos são comprovados”.


 

O plantão da ADPF 635, mantido pelo Ministério Público do Rio de Janeiro, segue disponível como canal específico para o recebimento de relatos relacionados a possíveis violações de direitos fundamentais durante operações policiais realizadas no estado.

 

As denúncias podem ser direcionadas ao e-mail gaesp.plantao@mprj.mp.br ou ao telefone 21 2215-7003, que também atende via WhatsApp Business. Informações adicionais, bem como canais que recebem imagens, áudios, vídeos, localização geográfica e documentos sobre possíveis ilegalidades, podem ser consultadas na página da ADPF 635 disponível no site do Ministério Público estadual.

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