Está em fase final de elaboração um programa federal voltado ao enfrentamento das facções criminosas no país, conforme anunciado pelo ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington César Lima. De acordo com o ministro, o plano, intitulado Brasil Contra o Crime Organizado, deve ser apresentado nos próximos dias.
Durante entrevista coletiva referente à divulgação de dados da quarta etapa da Operação Compliance Zero, realizada pela Polícia Federal nesta quinta-feira, 16, Lima informou que a proposta está sendo ajustada para ser detalhada publicamente em breve.
Na ocasião, o secretário nacional de Segurança Pública, Francisco Lucas, afirmou que a estratégia nacional terá como prioridade a repressão financeira das organizações criminosas e de seus colaboradores. Segundo ele, o modelo de atuação buscará inspiração em operações como Carbono Oculto, que desvendou a infiltração do Primeiro Comando da Capital (PCC) no setor financeiro, e Compliance Zero, que investiga crimes contra o Sistema Financeiro Nacional e irregularidades nas transações entre o Banco Master e o Banco de Brasília (BRB).
“Não adianta enfrentarmos a violência apenas nas comunidades, com tiros. Precisamos ter inteligência e integração”, afirmou Lucas. “Esta será a tônica do Brasil Contra o Crime Organizado: a asfixia financeira das organizações criminosas e daqueles que negociam com elas e usam este dinheiro sujo para alimentar o mundo do crime.”
O secretário destacou que o decreto em elaboração está alinhado à Lei Antifacção, aprovada pela Câmara dos Deputados no fim de fevereiro e sancionada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva no mês passado. Esta legislação determina aumento das penas para participação em organização criminosa ou milícia e facilita a apreensão de bens dos envolvidos.
Pelo novo texto legal, facção criminosa é definida como qualquer organização ou grupo composto por três ou mais indivíduos que utilize violência, grave ameaça ou coação com a finalidade de dominar territórios, intimidar pessoas ou autoridades, ou atacar serviços, infraestruturas ou equipamentos essenciais.
A legislação estabelece ainda que lideranças envolvidas nesses crimes perdem o direito a benefícios como anistia, indulto, fiança e liberdade condicional. Também há restrições maiores para a progressão de pena e determina que chefes dessas organizações cumpram pena ou prisão preventiva em presídios de segurança máxima, entre outras providências previstas no decreto.