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Lula critica ameaça dos EUA de barrar África do Sul no G20

Presidente do Brasil afirma que decisão dos EUA de vetar a África do Sul no G20 é ilegítima e defende presença de todos os membros fundadores

20/04/2026 às 18:29
Por: Redação

Durante compromisso oficial realizado nesta segunda-feira (20), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva manifestou descontentamento com a possibilidade de a África do Sul ser impedida de comparecer ao G20 por decisão do governo dos Estados Unidos. A declaração ocorreu após o governo norte-americano afirmar que poderia vetar a participação do presidente sul-africano, Cyril Ramaphosa, no próximo encontro do grupo, marcado para novembro, nos Estados Unidos, país que ocupa atualmente a presidência do fórum.

 

Lula se posicionou contra o veto e afirmou que conversou diretamente com Ramaphosa sobre o tema. Segundo o presidente brasileiro, os Estados Unidos não têm poder para impedir o comparecimento de um país fundador do G20 e reforçou que a presença sul-africana é legítima.

 

"Eu disse ao Ramaphosa [presidente da África do Sul], esta semana, que os Estados Unidos não têm o direito de proibir um membro fundador do G20 de participar do bloco. Eu disse ao Ramaphosa que ele deve comparecer ao G20. Ele não pode deixar de ir porque o Trump disse para ele não ir. Vamos lá ver o que vai acontecer, se vão deixar ele entrar ou não."


 

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou que não convidaria o líder sul-africano para a reunião do G20, em função de alegações contra o governo da África do Sul relacionadas à lei de reforma agrária aprovada no país. Trump vem promovendo essas acusações desde o ano anterior e chegou a assinar uma ordem para encerrar o envio de recursos financeiros ao governo sul-africano.

 

Em entrevista concedida em Hanôver, na Alemanha, após reunião com o chanceler Friedrich Merz, Lula afirmou que, se estivesse na posição de Ramaphosa, participaria do encontro não na condição de convidado, mas como membro fundador do grupo. O presidente brasileiro realiza uma série de visitas oficiais pela Europa, já tendo passado pela Espanha, e seguirá para Portugal antes de retornar ao Brasil.

 

Lula também respondeu a perguntas de jornalistas sobre as acusações feitas por Trump acerca de um suposto "genocídio branco" na África do Sul, rebatendo as afirmações como infundadas. Ele destacou que não cabe ao presidente norte-americano decidir sobre a presença de países no G20, o que, segundo Lula, poderia enfraquecer a legitimidade do grupo.

 

"Se vai tirar a África do Sul hoje, daqui a pouco vão tirar a Alemanha, depois vão tirar o Brasil. Se a gente não se juntar, dar as mãos, eles vão tirando um por um. Aqui não é o Conselho da Paz [criado e controlado por Donald Trump, presidente dos EUA]."


 

O presidente brasileiro ressaltou ainda que o G20 é um fórum multilateral, cuja fundação contou com sua participação, criada em resposta à crise econômica de 2008, originada nos Estados Unidos. Ele pontuou que os 20 integrantes fundadores sempre tiveram garantido o direito de presença nas reuniões do bloco.

 

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