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Lula critica guerras e defende multilateralismo em discurso na Espanha

Presidente brasileiro aborda consequências de conflitos armados e a necessidade de regulamentação digital durante fórum pela democracia em Barcelona.

18/04/2026 às 16:57
Por: Redação

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva proferiu um discurso contundente em Barcelona, na Espanha, neste sábado (18), manifestando-se firmemente contra os conflitos globais em curso e em defesa do fortalecimento do multilateralismo, com ênfase nas consequências para as populações mais vulneráveis.

 

A participação do chefe de Estado brasileiro ocorreu na quarta reunião de alto nível do Fórum de Defesa da Democracia, como parte de sua agenda europeia que abrange visitas a três nações.

 

Em sua fala, Lula ressaltou que os efeitos mais severos das guerras recaem sobre os segmentos mais pobres da sociedade.

 

"O Trump invade o Irã e aumenta o feijão no Brasil, o milho no México, aumenta a gasolina em outro país. É o pobre que vai pagar pela irresponsabilidade de guerras que ninguém quer?", questionou.

 

O presidente enfatizou que o mundo enfrenta desafios prementes que deveriam ser priorizados em detrimento de conflitos armados, citando a existência de mais de 760 milhões de pessoas em situação de fome, milhões de analfabetos e a morte de incontáveis indivíduos devido à falta de vacinas durante a pandemia de covid-19.

 

Lula apontou que o período atual registra o maior número de confrontos bélicos desde a Segunda Guerra Mundial e solicitou uma intervenção coordenada da Organização das Nações Unidas (ONU) para lidar com a situação.

 

"Precisamos exigir que o secretário-geral da ONU convoque reuniões extraordinárias, mesmo sem pedir aos cinco membros do Conselho de Segurança", afirmou.

 

O líder brasileiro criticou veementemente algumas das principais guerras em andamento, incluindo a invasão russa da Ucrânia, a devastação na Faixa de Gaza promovida por Israel e o conflito dos Estados Unidos contra o Irã no Oriente Médio.

 

Ele argumentou que nenhum presidente, independentemente do poder de seu país, possui o direito de impor regras a outras nações, e que os cinco membros do Conselho de Segurança da ONU deveriam rever suas condutas. Lula lamentou a tomada de decisões sem consulta à ONU, mesmo por países que a integram.

 

"Nenhum presidente de nenhum país do mundo, por maior que seja, tem o direito de ficar impondo regras a outros países. Nenhum. E os cinco membros do Conselho de Segurança da ONU devem se reunir para mudar seu comportamento.Nós não podemos levantar todo dia de manhã, e dormir todo dia a noite, com tuíte de um presidente da República ameaçando o mundo, fazendo guerra. Ou seja, e todos eles tomam decisão sem consultar a ONU, da qual são eles membros e fazem parte do conselho", prosseguiu Lula.

 

O presidente expressou desapontamento com o silêncio de diversas nações e sublinhou que a efetividade democrática nas Nações Unidas depende diretamente do engajamento e envolvimento dos Estados-membros, afirmando que "fortalecer o multilateralismo depende de nós".

 

Debate sobre plataformas digitais

 

Em outro ponto de seu discurso, Lula dirigiu críticas ao papel das plataformas digitais na desestabilização política de países e defendeu que a própria ONU assuma a liderança nas discussões para o estabelecimento de normas e regras globais compartilhadas entre as nações.

 

"A verdade, nua e crua, é que a mentira ganhou da verdade. Esse é o dado concreto. Para mentir, você não tem que explicar. Para se justificar, você tem que se explicar", afirmou.

 

O presidente cobrou da ONU uma atuação mais incisiva na questão das plataformas.

 

"Ela precisa funcionar para garantir, por exemplo, que as plataformas sejam reguladas no mundo inteiro, para todo mundo. Não pode o presidente da República interferir na eleição de um país interferir na eleição de outro, pedir voto para outro. Cadê a soberania eleitoral? Cadê a soberania territorial? Esse é um tema que nós precisamos discutir e nos fazer ouvir. E o cenário que temos que brigar é dentro das Nações Unidas", completou Lula.

 

O Fórum Democracia Sempre, uma iniciativa lançada em 2024, congrega os governos de cinco países: Brasil, Espanha, Colômbia, Chile e Uruguai. O evento em Barcelona, organizado pelo presidente do Governo da Espanha, Pedro Sánchez, contou ainda com a presença dos presidentes Yamandú Orsi (Uruguai), Gustavo Petro (Colômbia), Cyril Ramaphosa (África do Sul), Claudia Sheinbaum (México), além do ex-presidente do Chile, Gabriel Boric.

 

Agenda internacional de Lula

 

Após a conclusão de seus compromissos na Espanha, o presidente Lula seguirá viagem para a Alemanha neste domingo (19). No país germânico, ele participará da Hannover Messe, reconhecida como a maior feira de inovação e tecnologia industrial do mundo, que neste ano dedica uma homenagem ao Brasil. Adicionalmente, o presidente brasileiro terá um encontro agendado com o chanceler Friedrich Merz.

 

A viagem presidencial será finalizada no dia 21, com uma breve visita de Estado a Portugal. Em Lisboa, Lula se reunirá com o primeiro-ministro Luís Montenegro e com o presidente António José Seguro.

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