Durante um encontro com jornalistas realizado na manhã de quinta-feira, 16, o ministro das Relações Institucionais, José Guimarães, afirmou ser totalmente contrário à possibilidade de apoio do governo federal ao Banco de Brasília (BRB). O banco está sob investigação devido a operações financeiras consideradas irregulares que, segundo apurações iniciais, teriam favorecido o Banco Master.
Indagado sobre a eventualidade de socorro financeiro por parte do Executivo federal ao BRB, Guimarães declarou que, caso o tema chegue até ele, irá manifestar sua oposição de forma categórica a qualquer intervenção desse tipo junto à instituição.
As investigações em curso visam identificar os responsáveis pelo desvio de recursos, que atingem a casa dos bilhões de reais, no episódio envolvendo o Banco Master. O ministro destacou que a apuração conduzida pela Polícia Federal deverá indicar quem são os verdadeiros autores destas irregularidades ao fim do processo.
Entre os alvos das investigações estão o atual governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, filiado ao MDB, e o ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, que foi detido recentemente durante a quarta fase da Operação Compliance Zero, voltada ao combate de fraudes no setor bancário.
“A Polícia Federal está fazendo um trabalho extraordinário. Ao final vamos saber quem são os responsáveis por tamanho absurdo, pelos tantos bilhões envolvidos. A orientação do presidente Lula é essa. Doa a quem doer”, declarou José Guimarães.
O ministro expressou preocupação com o modo como parte da classe política tem conduzido determinadas questões, lamentando o que classificou como postura oportunista. Ele direcionou críticas especialmente às intensas trocas de partidos que ocorreram na janela partidária mais recente.
“Em todos os meus anos na política, nunca vi algo como o que aconteceu nessa janela. Foi um acinte contra os partidos sérios”, afirmou Guimarães.
De acordo com o ministro, certas legendas perderam até vinte parlamentares no período, sem que tenham sido apresentadas justificativas claras para essas mudanças. Ele defendeu que a reforma política em discussão no Congresso Nacional estabeleça critérios para impedir que situações como essa se repitam.
Questionado sobre pesquisas eleitorais recentes que apontam crescimento de Flávio Bolsonaro, candidato de oposição ao Palácio do Planalto, Guimarães avaliou ser prematuro qualquer tipo de análise mais precisa a respeito do panorama eleitoral neste momento.
“A campanha sequer começou, e as estratégias ainda estão sendo discutidas pelas coordenações de campanha. Mas, pelas minhas experiências com eleições, acredito que o outro candidato não vai se sustentar. As coisas contra ele ainda vão vir à tona”, disse o ministro.