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Irã e Hezbollah atribuem trégua no Líbano à força do Eixo da Resistência

Governo iraniano e Hezbollah creditam acordo de trégua a ação coordenada de grupos contrários a Israel e EUA

17/04/2026 às 17:19
Por: Redação

O governo do Irã e o Hezbollah relacionaram o recente cessar-fogo no Líbano à articulação e poder de combate dos grupos integrantes do chamado Eixo da Resistência, que reúne organizações contrárias à atuação de Israel e dos Estados Unidos no Oriente Médio.

 

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, apresentou publicamente o cessar-fogo como resultado de esforços liderados pela Casa Branca. Porém, a suspensão dos ataques no Líbano fazia parte das exigências do governo de Teerã para o avanço das conversas diplomáticas com os Estados Unidos. Após o anúncio do fim dos combates, o Irã comunicou a reabertura do Estreito de Ormuz para a navegação de embarcações comerciais.

 

Em nota oficial, o Hezbollah detalhou que, ao longo de 45 dias de enfrentamentos com o exército israelense, realizou 2.184 operações militares, o que corresponde a uma média de 49 ações diárias.

 

Segundo o grupo, as ofensivas tiveram como alvos tanto as forças israelenses presentes em território libanês quanto instalações, quartéis e bases militares localizadas dentro de Israel e nos territórios palestinos ocupados, alcançando distâncias de até 160 quilômetros para além da fronteira.

 

“Nossa mão permanecerá no gatilho em antecipação a qualquer violação ou traição pelo inimigo, enfatizando a adesão à opção de confronto e continuar a defender o país, e permanecer no pacto até o último suspiro”, afirmou o comunicado transmitido pela emissora Al-Manar, ligada ao Hezbollah.


 

O presidente do Parlamento iraniano, Mohammed B. Ghalibaf, que chefia a delegação do Irã nas negociações com os Estados Unidos, classificou o cessar-fogo como resultado direto da resistência do Hezbollah e da coesão dos integrantes do Eixo da Resistência.

 

“A Resistência e o Irã são uma só entidade, seja na guerra ou no cessar-fogo. Cabe à América recuar do erro de ‘Israel em primeiro lugar’. O cessar-fogo não foi senão resultado da resistência do Hezbollah e da união do Eixo da Resistência; e lidaremos com este cessar-fogo com cautela, e permaneceremos juntos até a verificação completa da vitória”, declarou em publicação em rede social.


 

De acordo com Ismail Baghaei, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, o fim dos combates ocorreu em razão dos esforços diplomáticos conduzidos por Teerã.

 

“Desde o início das negociações com várias partes regionais e internacionais, incluindo as negociações em Islamabad, a República Islâmica do Irã tem consistentemente enfatizado a necessidade imperativa de um cessar-fogo simultâneo em toda a região, inclusive no Líbano”, disse Baghaei.


 

Reação do governo israelense e continuidade das operações

 

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, vinha declarando planos para manter a ocupação do sul libanês até o rio Litani, localizado a 30 quilômetros da fronteira com Israel. No dia anterior ao anúncio oficial do cessar-fogo, Netanyahu comunicou que havia orientado a continuação das operações militares para conquistar a cidade de Bent Jbel.

 

Relatos do jornal israelense The Times of Israel indicam que membros do gabinete do governo daquele país receberam a notícia do cessar-fogo com surpresa. Segundo informações, Netanyahu aceitou a trégua após solicitação do presidente Trump, decisão que foi alvo de críticas por parte da oposição, que classificou o acordo como uma imposição externa a Israel.

 

Além disso, o portal Ynet divulgou que, mesmo após o anúncio da trégua, um oficial militar israelense confirmou a permanência de tropas no território libanês.

 

Conflito entre Israel e Hezbollah: origens e contextos recentes

 

Os confrontos mais recentes entre Israel e Líbano remontam a outubro de 2023, quando o Hezbollah iniciou ataques ao norte israelense em resposta aos episódios de violência envolvendo a população palestina na Faixa de Gaza. Em novembro de 2024, foi formalizado um acordo de cessar-fogo entre o Hezbollah e o governo de Tel Aviv, porém, segundo o grupo, Israel não teria respeitado as determinações e manteve ataques em solo libanês.

 

Com o início das hostilidades contra o Irã, em 28 de fevereiro, o Hezbollah retomou as ofensivas contra Israel, justificando as ações como resposta à quebra sistemática do acordo de trégua nos meses anteriores e como retaliação ao assassinato do líder supremo iraniano, Ali Khamenei.

 

Em 8 de abril, foi divulgado o cessar-fogo relacionado ao conflito no Irã, porém, Israel prosseguiu com incursões militares no Líbano, descumprindo novamente a nova trégua, que desta vez havia sido negociada com a mediação do Paquistão.

 

O Irã manteve a exigência de que o Líbano fosse incluído nos termos do cessar-fogo para prosseguir com as tratativas diplomáticas junto aos Estados Unidos, cuja segunda rodada de conversações estava prevista para os dias seguintes.

 

Histórico da disputa entre Israel e Hezbollah

 

O histórico de embates entre Israel e o Hezbollah remonta à década de 1980, quando a milícia xiita foi criada como reação à entrada e ocupação israelense em território libanês, ação que tinha como objetivo perseguir grupos palestinos que buscavam abrigo no país vizinho.

 

Em 2000, o Hezbollah conseguiu expulsar as forças israelenses do Líbano. Com o passar dos anos, o grupo consolidou-se também como força política, logrando representação no Parlamento libanês e participando de sucessivos governos.

 

O território libanês foi alvo de ataques do governo israelense nos anos de 2006, 2009 e 2011.

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