A República Islâmica do Irã comunicou nesta sexta-feira, dia 17, a reabertura do Estreito de Ormuz para a circulação de embarcações comerciais, em decorrência do acordo de cessar-fogo firmado entre Israel e Hezbollah no Líbano.
O Estreito de Ormuz, corredor marítimo por onde é transportado aproximadamente 20% do petróleo mundial, vinha sendo bloqueado, o que resultou em instabilidade nos mercados e impactos negativos sobre a economia global. De acordo com o anúncio, a navegação no local permanecerá liberada até o término da vigência da trégua estabelecida entre Irã e Estados Unidos, que se encerra na próxima terça-feira, dia 21.
A confirmação da abertura foi feita pelo ministro das Relações Exteriores do Irã, Seyed Abbas Araghchi. Ele declarou que, durante o período do cessar-fogo, todos os navios comerciais poderão transitar pela região desde que sigam a rota previamente definida e informada pela Organização de Portos e Marítima da República Islâmica do Irã.
“A passagem para todos os navios comerciais pelo Estreito de Ormuz é declarada completamente aberta pelo período restante do cessar-fogo, na rota coordenada já anunciada pela Organização de Portos e Marítima da República Islâmica do Irã.”
A decisão pactuada entre Teerã e Washington também inclui a suspensão dos combates em todas as frentes do conflito no Oriente Médio. Apesar desse entendimento, forças israelenses continuaram realizando ataques intensos contra o Líbano. O governo iraniano condicionava o retorno ao diálogo com os Estados Unidos ao fim das hostilidades por parte de Israel.
O início oficial do cessar-fogo no Líbano ocorreu na noite da quinta-feira, data em que o acordo foi divulgado publicamente. A notícia foi recebida com comemorações pela população libanesa, que iniciou tentativas de retorno às suas residências. Estima-se que mais de um milhão de pessoas tenham sido forçadas a se deslocar dentro do país ao longo dos 45 dias de confrontos.
No Irã, a interrupção dos combates teve início em 7 de abril. No entanto, após a falha nas negociações de paz realizadas no Paquistão no fim de semana anterior ao anúncio, os Estados Unidos informaram a imposição de um bloqueio naval sobre os portos iranianos. A efetividade dessa barreira, que tem como alvo as exportações e importações iranianas, é alvo de questionamentos.
Dados da empresa de monitoramento de embarcações Kpler, repassados à agência francesa AFP, indicam que três petroleiros iranianos, transportando juntos um total de cinco milhões de barris de petróleo bruto, deixaram o Golfo Pérsico e cruzaram o Estreito de Ormuz mesmo durante a vigência do bloqueio imposto pelos Estados Unidos.