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Anistia Internacional responsabiliza EUA, Israel e Rússia por enfraquecer sistema multilateral

Relatório acusa potências de violações graves e aponta retrocessos em direitos civis e ambientais

21/04/2026 às 17:50
Por: Redação

A Anistia Internacional divulgou seu relatório anual sobre a situação dos direitos humanos, analisando 144 países e responsabilizando Estados Unidos, Israel e Rússia por ações que, segundo a entidade, prejudicam o funcionamento do multilateralismo, o respeito ao direito internacional e a atuação da sociedade civil global.

 

De acordo com a secretária-geral da organização, Agnès Callamard, agentes políticos e econômicos, assim como aqueles que amparam essas práticas, estariam agindo para pôr fim ao sistema multilateral. Callamard enfatiza que essa postura não decorre de ineficácia do sistema, mas do fato de ele não servir à hegemonia e ao controle de determinados grupos.

 

“A resposta não é proclamar que o sistema é uma quimera ou que não há como consertá-lo, mas sim enfrentar seus fracassos, acabar com sua aplicação seletiva e continuar transformando-o para que seja plenamente capaz de defender todas as pessoas com a mesma determinação”, afirma a secretária-geral da Anistia Internacional.


 

Conflito no Oriente Médio e ações dos Estados Unidos

 

O relatório aponta que Israel manteve o que a Anistia define como genocídio contra a população palestina na Faixa de Gaza, mesmo após o estabelecimento de um cessar-fogo em outubro de 2025. Segundo o documento, permanece em vigor um sistema de apartheid imposto sobre os palestinos, ao passo que avançam as iniciativas de expansão de assentamentos ilegais na Cisjordânia ocupada, incluindo Jerusalém Oriental, e continuam os esforços para anexação desses territórios.

 

A organização destaca ainda que as autoridades israelenses têm incentivado ou permitido, de forma crescente, que colonos ataquem e promovam terror entre a população palestina, sem punições, além de autoridades de expressão pública exaltarem e celebrarem esses atos violentos. O relatório menciona detenções arbitrárias e denúncias de tortura de pessoas presas.

 

No que se refere aos Estados Unidos, a Anistia Internacional relata a realização de mais de 150 execuções extrajudiciais, com bombardeios de embarcações ocorrendo tanto no Caribe quanto no Pacífico. O documento também relata um episódio de agressão à Venezuela em janeiro de 2026, no qual o presidente Nicolás Maduro foi sequestrado pelas autoridades norte-americanas.

 

Segundo a organização, tanto os Estados Unidos quanto Israel praticaram uso ilegítimo da força contra o Irã, descumprindo a Carta das Nações Unidas. Como consequência, ocorreram ataques de retaliação iranianos contra Israel e países do Conselho de Cooperação dos Estados Árabes do Golfo, enquanto Israel intensificou seus próprios ataques ao Líbano.

 

O relatório destaca ainda que, após a morte de mais de 100 crianças em um ataque dos Estados Unidos contra uma escola no Irã, e diante dos diversos ataques a infraestruturas energéticas promovidos por diferentes lados do conflito, milhões de civis tiveram sua saúde e vida ameaçadas. A organização aponta que a guerra representa risco de danos ambientais graves, previsíveis e duradouros, afetando o acesso a energia, saúde, alimentação e água em uma região já instável e também em áreas fora do Oriente Médio.

 

Ofensiva russa e postura da Europa

 

O relatório reservado à Europa detalha que a Rússia intensificou ataques aéreos direcionados a infraestruturas civis fundamentais na Ucrânia. Sobre a União Europeia e a maioria dos países europeus, a Anistia assinala uma postura de condescendência perante as violações cometidas pelos Estados Unidos contra o direito internacional e mecanismos multilaterais.

 

O texto reprova a ausência de ações concretas para impedir o que classifica como genocídio em andamento por parte de Israel e para interromper transferências irresponsáveis de armas e tecnologia, que acabam alimentando crimes contra o direito internacional em níveis globais.

 

Relatório destaca violência policial e violações no Brasil

 

A situação do Brasil também foi analisada pela Anistia Internacional, que apontou a violência policial como um dos fatores mais críticos no país. Em outubro de 2025, uma operação conjunta das polícias civil e militar do Rio de Janeiro em favelas resultou na morte de mais de 120 pessoas, em sua maioria negras e vivendo em situação de pobreza. A ação, denominada Operação Contenção, realizada nos Complexos da Penha e do Alemão, zona norte da capital fluminense, foi considerada a mais letal já registrada no estado.

 

De acordo com a entidade, esse evento exemplifica um padrão histórico de uso letal da força policial, que atinge de maneira desproporcional comunidades negras e periféricas em um contexto nacional no qual a população negra segue como alvo prioritário da violência estatal.

 

Além disso, o relatório ressalta que a violência de gênero permaneceu em patamares alarmantes durante o período analisado, com registros de feminicídios em todo o território brasileiro e manutenção da impunidade nesses crimes. Pessoas LGBTI também foram vítimas de episódios de violência racista e de natureza lgbtifóbica, sem que houvesse resposta ou proteção eficaz por parte do Estado.

 

“A Anistia Internacional apela ao Brasil para que adote medidas efetivas de responsabilização pela violência policial, avance urgentemente na demarcação dos territórios indígenas e quilombolas, enfrente a crise climática com ambição compatível com sua responsabilidade histórica e garanta, sem discriminação, os direitos humanos de toda a sua população”, declarou a organização ao final do relatório.


 

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