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Ato em SP condena uso de escola para filme contra Paulo Freire

Professores, pais e sindicatos protestam contra produção da Brasil Paralelo, que já teve colaboradores denunciados em outro caso.

18/04/2026 às 21:39
Por: Redação

Professores, pais de alunos, representantes de sindicatos e parlamentares reuniram-se no último sábado, dia 18, na capital paulista, para manifestar-se contra a utilização de uma unidade de ensino infantil municipal como cenário para a gravação de um filme. A produção, a cargo da empresa Brasil Paralelo, tem como objetivo, segundo os manifestantes, difamar a educação pública e a figura de Paulo Freire, reconhecido como patrono da Educação Brasileira.

 

O protesto foi organizado como uma aula pública e ocorreu na Praça Roosevelt, localizada em frente à Escola Municipal de Educação Infantil (Emei) Patrícia Galvão, conhecida como Pagu. Foi neste local que a produtora realizou as filmagens para sua obra, intitulada Pedagogia do Abandono, que ainda não foi lançada ao público.

 

A Brasil Paralelo é conhecida por produzir conteúdo alinhado à extrema-direita. A empresa já enfrentou controvérsias legais, tendo colaboradores tornados réus em um processo anterior relacionado à produção de outro filme, A Investigação Paralela: o Caso Maria da Penha. A Justiça do Ceará aceitou uma denúncia do Ministério Público estadual, transformando dois colaboradores da produtora em réus sob a suspeita de envolvimento em uma campanha de ódio direcionada a Maria da Penha, figura central na luta contra a violência doméstica no Brasil.

 

“A gente está aqui para dizer que Paulo Freire está presente. Ele está presente nas nossas escolas, nos nossos pensamentos, nos nossos estudos, e não só na EMEI Patrícia Galvão. Ele está presente na cidade toda, no Brasil a fora e fora do Brasil inclusive”, disse a diretora da Emei Patrícia Galvão, Sandra Regina Bouças.

A diretora Sandra Regina Bouças, embora não tenha concedido entrevistas à imprensa, expressou seu questionamento sobre a produção que utilizou as instalações de sua escola em uma carta divulgada nas redes sociais. As filmagens foram autorizadas pela prefeitura de São Paulo.

 

Na referida carta, Sandra Bouças declarou ter identificado que o projeto visava "destruir a educação pública, bem como a imagem de Paulo Freire com identificações muito equivocadas". Ela também levantou a questão se a proposta não seria uma tentativa de endossar a ideia de que a terceirização ou privatização da Educação Infantil representaria a solução para garantir uma educação de qualidade.

 

A diretora ainda relatou que só tomou conhecimento de que a Brasil Paralelo seria a responsável pela produção na noite anterior às gravações. Ela mencionou ter sido surpreendida por um termo de anuência em nome da produtora, que descreveu como "responsável por vídeos de caráter marcadamente ideológico, em que diversas produções têm por objetivo descaracterizar e objetificar o ensino público pejorativamente”.

 

Denise Carreira, professora da Faculdade de Educação da USP (FEUSP) e educadora popular, ressaltou que a iniciativa da produtora busca enfraquecer políticas públicas focadas em aspectos sociais, raciais e na agenda de gênero.

 

““Precisamos estar atentas contra esse absurdo. E defender a escola democrática, a escola que promova uma educação transformadora baseada no pensamento, na trajetória, na ação de Paulo Freire”, acrescentou.

Eduarda Lins, mãe de uma das crianças matriculadas na Emei, elogiou a equipe da escola e criticou tanto a produtora quanto a administração municipal. Ela expressou sua indignação, afirmando que "Quando a gente descobre que a nossa prefeitura está disponibilizando um espaço público para uma empresa privada com fins, no mínimo, obscuros, que inclusive está sendo investigada pelo MP, dói no nosso coração”.

 

Prefeitura se manifesta sobre a autorização

A Spcine, órgão responsável, informou que recebeu a solicitação para a gravação e, após uma análise técnica realizada pela SP Film Commission, setor encarregado de receber, processar e encaminhar os pedidos de filmagem no município, autorizou a realização das gravações.

 

Em nota, a Spcine esclareceu que o procedimento é padrão, sendo o mesmo adotado para as 253 outras solicitações semelhantes feitas ao município até o momento em 2026. O órgão destacou que, apenas no ano anterior, mais de mil gravações foram autorizadas. A Spcine também enfatizou que a verificação de aspectos legais, como o uso de imagem e a participação de menores de idade, é de total responsabilidade dos produtores do filme.

 

A Agência Brasil tentou contato com a produtora Brasil Paralelo para obter um posicionamento, mas não obteve resposta até o fechamento desta matéria.

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