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Estados Unidos solicitam saída de servidor brasileiro por atuação em caso de imigração

Servidor brasileiro é acusado de tentar contornar regras formais de extradição em caso ligado ao ex-deputado Ramagem

21/04/2026 às 11:09
Por: Redação

O Escritório para Assuntos do Hemisfério Ocidental dos Estados Unidos tornou público, na segunda-feira (20), que solicitou que um representante brasileiro deixe o território norte-americano. Embora não sejam mencionados nomes, as informações contidas no comunicado indicam que a medida envolve um delegado da Polícia Federal que participou diretamente das ações relacionadas à detenção do ex-deputado Alexandre Ramagem nos Estados Unidos.

 

Segundo a publicação feita em uma rede social pelo órgão dos Estados Unidos, o servidor brasileiro teria buscado meios de contornar os trâmites formais estabelecidos para a cooperação jurídica entre os dois países. O órgão informou que não é permitido a nenhum estrangeiro manipular o sistema de imigração dos Estados Unidos para evitar os procedimentos oficiais de extradição, ou para prolongar perseguições políticas em solo norte-americano.

 

“Nenhum estrangeiro pode manipular nosso sistema de imigração para contornar pedidos formais de extradição e estender perseguições políticas ao território dos Estados Unidos. Hoje, pedimos que o funcionário brasileiro envolvido deixe o nosso país por tentar fazer isso”, afirmou o escritório na postagem.


 

Até o momento, tanto a Polícia Federal quanto o Ministério das Relações Exteriores do Brasil (Itamaraty) não se manifestaram oficialmente nem divulgaram detalhes sobre a solicitação realizada pelo governo norte-americano para a retirada do servidor brasileiro dos Estados Unidos.

 

O ex-deputado Alexandre Ramagem foi liberado na quarta-feira anterior (15), após permanecer detido por dois dias no estado da Flórida. Ramagem, que exerceu a função de diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), teve sua condenação definida pelo Supremo Tribunal Federal (STF) no ano passado, recebendo uma pena de 16 anos de prisão em decorrência de sua participação em uma trama considerada golpista. Após a sentença, perdeu o mandato parlamentar e se evadiu do Brasil, passando a residir nos Estados Unidos para evitar o cumprimento da condenação.

 

Procedimentos e cooperação internacional

Em dezembro de 2025, o ministro Alexandre de Moraes determinou o encaminhamento do pedido formal de extradição de Ramagem às autoridades norte-americanas, ato realizado por meio do Ministério da Justiça e Segurança Pública do Brasil. Já em abril, a Polícia Federal informou que a prisão do ex-deputado, realizada pelo serviço de imigração dos Estados Unidos, foi resultado de uma cooperação policial internacional mantida entre os dois países. A corporação detalhou que a detenção ocorreu na cidade de Orlando e classificou Ramagem como foragido da Justiça brasileira, diante de sua condenação pelos crimes de organização criminosa armada, tentativa de golpe de Estado e abolição violenta do Estado democrático de direito.

 

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